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quinta, 06 de setembro de 2018
MOVIMENTO AUMENTA NA ADUANA E CAMINHONEIROS RELATAM PROBLEMAS COM SEGURANÇA

Na segunda-feira, 3 de setembro, reportagem ouviu vários caminhoneiros que esperavam na fila para ingressar na Aduana

 

Reportagens: Giliard de Lima – Edição e reportagens: Luiz Carlos Gnoatto (jornalista MTb/PR 9910)

O movimento de cargas pela Aduana de Dionísio Cerqueira vem aumentando significativamente, e nos últimos dias, longas filas vêm se formando na rodovia de acesso e em pátios próximos à Área de Controle Integrado – ACI Cargas de Dionísio Cerqueira, à espera de ingressar no pátio da Aduana.

Com as chuvas intensas dos últimos dias, a condição dos motoristas, nessas filas, se complica e eles enfrentam várias dificuldades.

A reportagem do Jornal da fronteira visitou esses locais, na segunda-feira, 3 de setembro, fez várias fotos das longas filas e caminhões estacionados em pátios próximos à Aduana, e conversou com vários motoristas.

 

Os motoristas não quiseram se identificar, mas todos relatam a falta de segurança nesses estacionamentos e nas filas.

Também reclamaram da deficiência de estrutura, como sanitários e banheiros para os motoristas tomarem banho.

“A falta de segurança é preocupante, abrindo precedente para que pessoas não autorizadas prestem um tipo de ‘serviço de segurança’, cobrando em média R$ 25,00 por dia de cada caminhão, para cuidar dos caminhões parados nas filas e pátios. O motorista que se nega a pagar tal taxa, tem vários itens de seu caminhão roubado”, relataram os motoristas.

Um dos caminhoneiros citou que o problema vai além dos roubos.

"O pessoal passa cobrando para cuidar dos caminhões, mas não fornece nota fiscal do serviço. Então esse custo sai do nosso bolso, porque muitas empresas não pagam por esse serviço, e se o caminhoneiro não pagar a taxa para eles ‘cuidarem’ dos caminhões, pode ter certeza que vão roubar caixa de comida, fogareiro, botijão de gás e tudo que eles puderem levar. Tem casos de colegas que até foram ameaçados pelo pessoal que presta segurança", afirmou.

Outro motorista relatou que os serviços aduaneiros demoram em média 4 a 5 dias para liberar um caminhão.

"São quatro dias na fila de espera e não tem estrutura adequada para tomar banho e para fazer as necessidades, precisando, inclusive, ir para o mato. E quando a gente consegue tomar um banho, tem que ser de forma rápida, para voltar logo ao caminhão, porque se der bobeira e deixar o caminhão sem cuidar, eles te roubam tudo o que der, como comida, gás e o que mais eles conseguirem levar", disse o motorista.

 

Soluções

Uma das possíveis soluções emergenciais, apontada pelos caminhoneiros, é a adoção de um sistema de senha para entrar no pátio da Aduana.

“É uma medida simples, que resolveria essa situação, como já é feito na Aduana de Foz do Iguaçu. Seria necessário a Receita Federal baixar uma portaria, para emitir senhas para os caminhões entrarem na Aduana. Com a senha, não precisaríamos ficar nessas filas como é hoje, e deixar os caminhões aguardando em pátios de postos de combustíveis ou das próprias empresas, esperando a vez de entrar. Em Foz do Iguaçu, por exemplo, é assim”, enfatizaram os caminhoneiros ouvidos pelo Jornal da Fronteira.

 

Aprimorar o diálogo e a gestão

O Jornal da Fronteira também conversou com representante do grupo de desenvolvimento, integrado por representantes da Ascoagrin, do Consórcio Intermunicipal da Fronteira-CIF, de empresários, de motoristas, de despachantes aduaneiros, Fronteiras Cooperativas e do poder público.

“Sabemos que á situação dos órgãos anuentes, como a Receita Federal, o Ministério da Agricultura, é difícil pela falta de pessoal e eles precisam ter o poder de fiscalização. Mas nós poderíamos aprimorar a gestão e o diálogo, com medidas simples, como por exemplo, um caminhão que entra na Aduana e tem erros de papéis, não ficar trancando o movimento por três ou quatro dias. Deve voltar para o final da fila, o que faria com que os despachantes passem a ter uma preocupação maior com a documentação correta. Ou então, ter alguém nos portões da Aduana, que fizesse uma análise prévia da documentação e só desse acesso às cargas com a documentação correta. Essa pessoa não teria nenhum poder de fiscalização e podia ser viabilizada através das prefeituras ou do CIF, por exemplo, ou até mesmo através do Governo Federal ou Estadual, por que a Receita e o Ministério da Agricultura não têm pessoal disponível. São questões simples, ‘caseiras’, além de outras mais, que a gente poderia aprimorar o diálogo com a Receita Federal e discutirmos formas de melhorar a gestão”, afirmaram.

Fonte: Luiz Carlos Gnoatto