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quinta, 20 de setembro de 2018
VAIDADE MASCULINA IMPULSIONA O MERCADO DE BELEZA

Fabricantes de cosméticos e perfumaria estão criando cada vez mais linhas para homens, de olho num mercado que já movimenta quase R$ 20 bilhões no Brasil. E o varejo amplia as prateleiras

 

Fonte: Por Mariana Missiaggia / dcomercio.com.br

Fotos: Imagens Ilustrativas (crédito: Thinkstock)

O número de barbearias triplicou. A Chanel lançou sua primeira linha de maquiagem para homens. Cosméticos foram os itens mais vendidos pela internet para o Dia dos Pais. O faturamento da categoria masculina de beleza mais que dobrou nos últimos cinco anos.

Essas e outras notícias mostram que o mercado de cosméticos especializado em homens vem se transformando ao longo dos últimos anos e que a indústria da beleza tem muito a explorar, em um mercado que movimentou R$ 19,6 bilhões no Brasil, em 2016, de acordo com a Euromonitor.

Neste mercado, o Brasil já representa 13% das vendas mundiais, que somaram U$ 49,5 bilhões no ano passado.

Esse consumo coloca o Brasil na segunda posição no ranking, atrás apenas dos Estados Unidos, que detêm 18% de participação.

"Os consumidores, principalmente os mais jovens, estão muito preocupados com cuidados", explicou Sandro Rodrigues, presidente da Hinode, que tem na classe C seu principal alvo.

"Foi-se o tempo em que os homens se limitavam a usar creme de barbear e pós-barba."

As vendas dos mais de 15 itens da linha masculina, de xampu a creme para os pés, de acordo com o empresário, têm crescido ao ritmo acima de 10% anuais.

"Nossa marca Empire de perfume já é a terceira mais vendida no país", diz Rodrigues.

Com um novo comportamento, os homens passaram a reproduzir os mesmos hábitos de pesquisa das mulheres e buscam cada vez mais informações sobre tratamentos e cosméticos masculinos na internet.

 

Barbearias

No Instagram, já aparecem mais de 13 milhões de publicações para a hashtag (#barbershop) – um novo tipo de barbearia que combina tratamentos modernos com um visual de antigamente e que viralizou no país.

Diferente das antigas barbearias, que não ofereciam produtos especializados e tinham um leque limitado de serviços, esses novos estabelecimentos trazem uma gama de tratamentos ligados à hidratação e qualidade e crescimento de fios, que demandam cuidados diários em casa com ceras, cremes, sprays e outra infinidade de itens que são indicados e vendidos pelos próprios barbeiros.

 

Números Só Crescem

Um estudo realizado pelo Instituto Qualibest, para a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), aponta que 43% dos homens se consideram supervaidosos e 54% frequentam regularmente salões e barbearias.

“Temos certeza que os homens têm o mesmo potencial de consumo que as mulheres e vamos trabalhar para entregar produtos que atendam as expectativas deste público”, afirmou João Carlos Basílio, presidente executivo da Abihpec.

De acordo com uma pesquisa da Kantar Worldpanel, no último ano, 31% dos gastos com perfumaria, cremes e afins foram realizados por homens. O mesmo estudo mostra a evolução das vendas direcionadas para esse público, nos últimos sete anos e uma projeção de quanto isso deve crescer até 2021.

Em 2011, a venda de fragrâncias masculinas, por exemplo, atingiu R$ 5,1 milhões. Em 2016, esse total subiu para R$ 11,4 milhões. E a projeção da consultoria é que em 2021, as vendas cheguem a R$ 16,3 milhões.

Dados como esses impulsionam cada vez mais empresas a produzir novidades direcionadas aos cuidados pessoais masculinos com o corpo e a beleza.

As quatro empresas líderes deste segmento são Unilever, Procter & Gamble, Colgate-Palmolive e L’Oréal. Juntas, representam 50% do mercado.

O Boticário também enxerga muito potencial nesse público.

Em 2007, a rede criou a linha Men, a primeira a oferecer o pacote completo para esses consumidores, que vai desde protetor solar até calmante pós-barba.

Hoje, são 12 linhas masculinas. Entre fragrâncias, antitranspirantes, hidratantes, sabonete líquido, espuma de barbear, balm, creme para o rosto e outros produtos são mais de cem itens masculinos – inclusive o primeiro BB Cream masculino do mercado brasileiro, uma espécie de base mais diluída com filtro solar.

De acordo com Jean Bueno, gerente de Perfumaria do Boticário, o comportamento de compra dos homens mudou. Por estarem cada vez mais interessados pelo tema, eles querem entender o que tem na composição, quais são os benefícios e resultados oferecidos por cada um dos produtos.

Até mesmo a Jequiti, que não possui uma linha específica para o público masculino, metade do porfólio de perfumes é direcionada aos homens.

"Eles querem cada vez mais se cuidar", diz Mônica Gregori, diretora de marketing. "Este é um fenômeno mundial, que chegou ao Brasil de maneira retardatária."

Nos últimos três anos, segundo Mônica, houve crescimento de 10% no portfólio de perfumaria e desodorantes masculinos, que atualmente representam 35% do total de itens da Jequiti.

Se em salões e clínicas de bem-estar, os homens são responsáveis por cerca de 30% do movimento, segundo a Associação Brasileira de Clínicas e Spas, nas perfumarias isso não é diferente.

Com embalagens bem menores do que as que costumam ser vendidas para as mulheres, os produtos para homens costumam ser mais caros, segundo Erika Vieira, 28 anos, vendedora.

Uma máscara de hidratação para cabelos femininos, por exemplo, custa em média R$ 35,00 em uma embalagem de um litro.

O mesmo produto, vendido para os homens, pode custar até R$ 80,00, com apenas 110 mililitros.

Fonte: Diário do Comércio